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O que é hedge e como ele ajuda no controle da exposição cambial

O que é hedge e como ele protege empresas da volatilidade, além do papel das stablecoins na gestão do risco cambial.

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February 16, 2026
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Quem acompanha o mercado financeiro ou lida frequentemente com transações internacionais, provavelmente já ouviu falar do termo hedge. O hedge é uma estratégia financeira que visa proteger operações contra a volatilidade do mercado, agindo como um “seguro” para evitar prejuízos. 

É utilizado no âmbito de investimentos, commodities, ações, mas também nas operações de câmbio, sendo um importante instrumento para empresas que operam com frequência e em grandes volumes, e precisam de ferramentas para garantia da sua liquidez.

Neste artigo, vamos detalhar o que é o hedge, como ele funciona na prática e quais são as principais vantagens dessa estratégia para empresas expostas à volatilidade das moedas. Vamos explorar:

O que é hedge e como funciona

O hedge é uma ferramenta que funciona como um seguro para proteger operações financeiras caso não tragam o retorno esperado. Esta estratégia tem como objetivo principal proteger um bem ou ativo de maneira parcial ou integral contra variações de preços, taxas ou moedas. Ao fazer hedge, o investidor ou empresa reduz significativamente o risco de uma operação, compensando possíveis perdas.

Primeiramente, é importante entender que o hedge não visa lucros extraordinários, mas sim garantir estabilidade e previsibilidade financeira. Quando uma empresa exportadora faz um hedge cambial, por exemplo, ela não está especulando sobre o valor futuro do dólar, mas sim garantindo que, independentemente da cotação, sua margem de lucro estará protegida.

Principais tipos de hedge 

Quatro estratégias de proteção financeira se destacam como as mais utilizadas, que são:

Hedge cambial

O hedge cambial funciona como escudo contra variações nas taxas de câmbio, especialmente importante para empresas que mantêm relações comerciais internacionais. Esta modalidade utiliza instrumentos como contratos futuros, opções cambiais e swaps para fixar o valor da moeda, protegendo contra flutuações desfavoráveis.

Para exportadores, o hedge cambial garante que a desvalorização da moeda estrangeira não afete suas margens. Da mesma forma, importadores podem se proteger contra a alta de moedas como o dólar, evitando repasses de preços aos consumidores finais.

Hedge de commodities

Originado para proteger agricultores contra oscilações de preços, o hedge de commodities permite que produtores rurais garantam previsibilidade e sustentabilidade econômica. Através de contratos futuros, opções, contratos a termo e operações de barter, é possível fixar preços de venda de produtos como soja e milho. 

Hedge em ações

Para investidores na bolsa de valores, o hedge em ações evita grandes prejuízos causados pela volatilidade. Entre as estratégias utilizadas estão a compra de opções de venda (put options), utilização de contratos futuros de índices e investimento em ativos que se beneficiam com determinados movimentos de mercado.

Hedge contra inflação

As commodities são consideradas o hedge mais subutilizado contra a inflação em períodos de expansão econômica. Ativos como metais e créditos de carbono ganham destaque por estarem expostos tanto à força cíclica quanto às novas medidas para combate às mudanças climáticas.

Além disso, instrumentos como swaps de inflação permitem que empresas com receitas fixas e despesas indexadas à inflação se protejam de altas nos preços, preservando suas margens de lucro e garantindo previsibilidade dos fluxos de caixa.

Instrumentos financeiros usados em operações de hedge

Para executar estratégias de hedge financeiro, diversos instrumentos estão disponíveis no mercado. A escolha depende principalmente do tipo de risco que se pretende minimizar.

Contratos futuros

Os contratos futuros representam um compromisso de compra ou venda de determinada quantidade e qualidade de um ativo para uma data futura, com preço fixado no presente. Este instrumento padronizado é negociado em bolsas de valores e liquidado diariamente, proporcionando segurança contra variações de preço.

Opções de compra e venda

As opções funcionam como um "seguro" financeiro. Mediante pagamento de um prêmio, o comprador de uma opção de compra (call) adquire o direito de comprar um ativo a preço predeterminado. Já a opção de venda (put) garante o direito de vender o ativo pelo preço acordado, mesmo que o mercado esteja abaixo deste valor.

Swaps cambiais e de juros

Os swaps permitem a troca de fluxos financeiros entre duas partes. No swap cambial, trocam-se valores em diferentes moedas, enquanto no swap de taxas de juros, trocam-se indexadores como taxa prefixada por pós-fixada, protegendo contra oscilações cambiais e de juros.

Mercado a termo

Semelhante ao mercado futuro, o contrato a termo também envolve compra e venda futura com preço pré-fixado. Entretanto, é menos padronizado, permitindo personalização das condições. Sua liquidação ocorre apenas no vencimento, sem ajustes diários.

Fundos cambiais

Os fundos cambiais aplicam no mínimo 80% de seus recursos em ativos relacionados à variação de moedas estrangeiras. São ideais para quem busca proteção contra desvalorização de moeda ou diversificação, sendo amplamente utilizados como hedge cambial por empresas importadoras.

Vantagens, riscos e quando usar hedge

Ao considerar operações de hedge financeiro, é essencial avaliar o equilíbrio entre proteção e oportunidades. A decisão de fazer hedge deve ser fundamentada na análise cuidadosa de vantagens e limitações.

Redução de riscos e previsibilidade financeira

A principal vantagem do hedge é sua capacidade de reduzir significativamente o risco de perdas financeiras causadas por flutuações de preços, taxas de câmbio ou juros. Essa proteção proporciona estabilidade financeira, permitindo que empresas mantenham operações mais estáveis mesmo durante períodos de volatilidade no mercado. Além disso, o hedge facilita o planejamento e orçamento, criando maior previsibilidade de fluxo de caixa e receitas, elemento crucial para uma gestão empresarial eficiente.

Custos e limitações do hedge

Entretanto, toda proteção tem seu preço. Implementar estratégias de hedge geralmente envolve custos significativos, como prêmios de opções, corretagens e margens para contratos futuros, que podem afetar a rentabilidade geral do investimento. Outra limitação importante é que o hedge não elimina completamente todos os riscos, mas apenas protege contra riscos específicos, não cobrindo todos os cenários adversos possíveis.

Quando o hedge é mais indicado

O hedge torna-se particularmente valioso quando a exposição ao risco pode comprometer a sustentabilidade financeira da empresa. Para setores como agronegócios, energia e finanças, onde oscilações de preços são comuns, o hedge representa uma ferramenta essencial. Principalmente, é indicado quando a estabilidade é prioritária em relação a ganhos extraordinários, visando manter resultados positivos consistentes ao longo do tempo em vez de lucros excepcionais pontuais.

O papel das stablecoins na proteção contra a exposição cambial

A stablecoin surgiu como uma importante aliada ao permitir que empresas reduzam de forma direta a exposição à volatilidade de moedas locais. Ao converter parte do caixa, receitas ou reservas de curto prazo para stablecoins pareadas a moedas fortes, como o dólar, é possível proteger o valor desses recursos contra desvalorizações abruptas, mantendo previsibilidade financeira. 

Embora não substituam instrumentos tradicionais de hedge, as stablecoins podem atuar como uma alternativa operacional mais simples em determinados contextos, especialmente para proteção de curto prazo e para operações internacionais que exigem liquidez imediata e mobilidade de capital.

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