Entenda as principais diferenças entre stablecoins e Bitcoin em termos de volatilidade, finalidade, oferta, confiança e uso no mundo real.






Quando o assunto é ativos digitais, stablecoins e Bitcoin vêm se consolidando como protagonistas dentro desse ecossistema, cada um com propostas e papéis específicos. Enquanto o Bitcoin é frequentemente associado à reserva de valor e investimento, as stablecoins surgem como instrumentos digitais voltados à estabilidade de preço e à eficiência operacional.
Na prática, ambos já são usados para finalidades diversas, que vão de investimento e gestão de tesouraria a arbitragem cambial e pagamentos do dia a dia. Ainda assim, é comum que surjam dúvidas sobre as características, limitações e riscos de cada um e sobre em quais contextos faz sentido utilizar um ou outro.
Neste guia, vamos analisar as diferenças entre essas duas abordagens para criptomoedas e ajudar a entender qual pode ser mais adequada para diferentes necessidades e objetivos. Os seguintes aspectos serão explorados:
A diferença mais fundamental entre Bitcoin e stablecoins está na maneira como seus preços se comportam no mercado. Essa característica define não apenas seu valor, mas também suas aplicações práticas no ecossistema cripto.
O Bitcoin se caracteriza por sua notável volatilidade, com preços que podem subir ou cair milhares de dólares em um único dia. Estudos mostram que a volatilidade do Bitcoin é aproximadamente oito vezes maior que a das ações tradicionais, o que cria tanto oportunidades quanto riscos significativos para investidores.
Essa instabilidade de preço ocorre por diversos fatores interconectados:
Embora essas características tornem o Bitcoin atraente para traders, elas o tornam inadequado para uso cotidiano. Em 2025, o Bitcoin continuou registrando volumes diários de negociação na casa de dezenas de bilhões de dólares, reforçando sua relevância como ativo de investimento, apesar da volatilidade.
Em contraste direto, as stablecoins são projetadas especificamente para manter uma estabilidade de preço. Elas conseguem isso através de um vínculo com ativos mais estáveis, geralmente moedas fiduciárias como o dólar americano ou o euro. Por exemplo, stablecoins como USDT (Tether) e USDC (USD Coin) mantêm consistentemente valores próximos a USD 1,00.
Esta estabilidade é alcançada principalmente por três mecanismos:
As stablecoins exibem volatilidade quase zero, com preços que flutuam dentro de uma faixa estreita de USD 1,00. Esta característica torna-as ideais para transações cotidianas e remessas internacionais. Em outubro de 2025, stablecoins chegaram a superar o Bitcoin em volume diário de negociação, reforçando seu papel como principal fonte de liquidez no mercado cripto.
Essa estabilidade, portanto, transformou as stablecoins em ferramentas transacionais, e não ativos especulativos, facilitando trocas, pagamentos e remessas sem exposição aos riscos cambiais.
As criptomoedas, como stablecoins e Bitcoin, se tornaram parte do nosso sistema financeiro, porém com propósitos bem distintos entre si.
O Bitcoin evoluiu da sua concepção inicial como meio de pagamento para um ativo de reserva de valor a longo prazo. Frequentemente chamado de "ouro digital", funciona como proteção contra inflação e como dinheiro soberano. Seu valor deriva principalmente da escassez digital, com apenas 21 milhões de moedas a serem mineradas, imitando o princípio econômico de que a raridade cria valor. Além disso, características como descentralização, segurança e confiança estabelecida ao longo da sua existência reforçam sua credibilidade como ativo de longo prazo.
Já as stablecoins foram criadas especificamente para resolver o problema da volatilidade no ecossistema cripto. Elas representam moedas como dólar e euro em formato digital, facilitando transferências com mais velocidade e segurança. As transações com stablecoins ocorrem em redes blockchain que operam ininterruptamente, com liquidação geralmente ocorrendo em minutos, independentemente de fusos horários ou feriados. Além disso, essas moedas estáveis servem como ativos de liquidação, ferramentas de entrada/saída e bases para liquidez em protocolos DeFi.
As remessas internacionais exemplificam perfeitamente o potencial das stablecoins. Enquanto transferências tradicionais custam aproximadamente 6,62% do valor enviado, as transferências com stablecoins geralmente custam centavos e são concluídas em minutos, não dias.
Um contraste fundamental entre estas criptomoedas está em como gerenciam sua oferta total, impactando diretamente seu comportamento econômico e utilidade.
O Bitcoin possui um limite rígido de 21 milhões de unidades, estabelecido por Satoshi Nakamoto no código-fonte original. Este teto máximo é alcançado através do processo de "halving", onde a recompensa por minerar novos blocos é reduzida pela metade aproximadamente a cada quatro anos. Esse mecanismo diminui gradualmente a taxa de criação de novas moedas, estimando-se que o último Bitcoin seja minerado por volta de 2140.
Esta escassez programada é central para a proposta de valor do Bitcoin, tornando-o semelhante a ativos como ouro e imóveis. A dificuldade crescente de produção contribui para sua valorização dele como reserva de valor digital.
Em contraste, as stablecoins possuem oferta flexível que se expande e contrai conforme a demanda do mercado. Quando usuários desejam adquirir stablecoins, novas unidades são produzidas (minted); quando as vendem, tokens são "queimados" (burned), sendo removidos de circulação.
Este ciclo de vida segue quatro etapas essenciais:
As stablecoins lastreadas em dólar mantêm reservas equivalentes para cada token emitido. Para cada USDC ou USDT em circulação, existe teoricamente um dólar americano (ou equivalente) mantido em reserva. Estas reservas ficam tipicamente em contas segregadas e à prova de falência, sujeitas a auditorias regulares.
A estabilidade é mantida por dois mecanismos principais: usuários institucionais podem resgatar stablecoins diretamente com os emissores a uma taxa fixa de 1:1, e arbitradores de mercado equilibram desvios de preço comprando quando abaixo do par e vendendo quando acima.
A arquitetura técnica do Bitcoin e das stablecoins determina como confiamos, controlamos e utilizamos esses ativos digitais em diferentes contextos financeiros.
O Bitcoin opera através de um sistema "trustless", onde os usuários não precisam confiar em terceiros para que a rede funcione. Este conceito fundamental significa que o sistema alcança consenso principalmente através do código, criptografia assimétrica e protocolos da própria blockchain, sem intermediários. A rede Bitcoin é praticamente impossível de ser desligada por não possuir um ponto central de falha, o que garante resistência à censura e permanência das transações.
Ao contrário, as stablecoins dependem fortemente de entidades centralizadas que gerenciam suas reservas. Stablecoins lastreadas em moedas tradicionais, como USDT e USDC, podem ser vulneráveis a corridas, que acontecem quando muitos usuários tentam resgatar ou vender a stablecoin ao mesmo tempo por medo de que as reservas não sejam suficientes ou não possam ser convertidas rapidamente em dinheiro. Esse tipo de movimento pode gerar pressão sobre o lastro e até fazer a stablecoin perder temporariamente a paridade de 1:1 com o dólar, porém apresenta risco de ocorrência mais baixo.
Uma vantagem significativa das stablecoins é sua capacidade de operar em diversas blockchains simultaneamente. USDT, USDC e DAI circulam em redes como Ethereum, Solana, Tron e Polygon, permitindo que empresas escolham redes mais rápidas ou baratas conforme necessário. No entanto, essa interoperabilidade ainda é limitada, e stablecoins podem apresentar diferenças de preço e liquidez entre blockchains.
A escolha entre Bitcoin e stablecoins depende fundamentalmente dos seus objetivos financeiros. Enquanto o Bitcoin se consolidou como reserva de valor digital com potencial de valorização significativa devido à sua oferta limitada, as stablecoins oferecem a praticidade e segurança necessárias para transações cotidianas sem exposição à volatilidade.
Além disso, essa distinção não significa que estas criptomoedas competem diretamente - pelo contrário, elas se complementam dentro do ecossistema cripto. O Bitcoin continua atraindo investidores que buscam proteção contra a inflação e independência monetária, ainda que com maior risco. Paralelamente, as stablecoins revolucionaram o movimento de capital global, permitindo transferências rápidas e baratas que antes eram impossíveis através dos sistemas bancários tradicionais.
Finalmente, tanto Bitcoin quanto stablecoins representam inovações fundamentais na forma como pensamos sobre dinheiro e valor. A primeira nos mostra como a escassez pode criar uma nova classe de ativos, enquanto a segunda nos aproxima de um sistema financeiro verdadeiramente global e acessível. Juntas, essas tecnologias continuarão transformando nossa relação com o dinheiro nos próximos anos, cada uma cumprindo seu papel específico no ecossistema financeiro digital.
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